sábado, 1 de junho de 2013

Adesão da Federação da Maçonaria Universal Real a todas as Obediências Maçônicas que estejam em concordância com a Declaração Argentina para a Maçonaria Tradicional e Livre


Obs.: Apesar de estar escrito "assino esta Declaração", não há qualquer assinatura no Documento...

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Tratado de Amizade e reconhecimento entre a "The National Phoenician Grand Lodge of Lebanon" e a Federação da Maçonaria Universal Real


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Tratado de Paz, Amizade e Reconhecimento entre a Confederação das Grandes Lojas Mistas da República Mexicana, o Grande Oriente Maçônico Misto de Guanajuato México e a Grande Loja Mista do Brasil



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Tratado de Reconhecimento, Paz e Amizade entre a Federação da Maçonaria Universal Real e o Grande Oriente Egípcio da Argentina



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domingo, 6 de janeiro de 2013

Luteranos e a Maçonaria. Posicionamento oficial!


O tema “Maçonaria” de tempos em tempos volta a ocupar a atenção das igrejas e o interesse do mundo.
  • Que é a maçonaria?
  • Quais são seus objetivos e propósitos?
  • Há incompatibilidade entre a igreja e a maçonaria?
Os motivos que acordaram tais perguntas são vários. Da parte das igrejas foi o movimento ecumênico, um maior aconchego das denominações cristãs entre si, bem como a aproximação do cristianismo com as religiões, na tentativa de unir todas as forças vivas do mundo para uma luta mais decisiva em prol da paz mundial, da fraternidade e da justiça social. Nesse esforço comum, houve também, por parte dos maçons, maior abertura. Eles dão a conhecer publicamente os nomes de seus dirigentes e integrantes, chamam atenção para suas reuniões, destacam suas realizações na área social e combatem as acusações e incriminações que vêm sofrendo.

Nesse diálogo, as igrejas cristãs ouvem da parte dos maçons argumentações de que não são uma organização secreta, não são religião nem substitutivo para a religião; antes favorecem os verdadeiros princípios religiosos, lutam pelo aperfeiçoamento moral do indivíduo e da humanidade, promovem a união e a paz, amam a liberdade, praticam a caridade e a tolerância.

Diante dessa nova situação, as igrejas cristãs, especialmente as que condenavam a maçonaria não permitindo que seus membros pertencessem a ela, são convidados a reexaminar sua posição.

Que é a Maçonaria? 

Ouçamos o que os próprios maçons dizem a seu respeito:

“A maçonaria é uma união de homens que busca, por uma união fraternal e através de ações e rituais honrados, o aperfeiçoamento e enobrecimento da pessoa.”11 Mais: “A maçonaria é o último dos grandes sistemas de uniões de homens com o alvo do aperfeiçoamento ético e moral de seus associados.”12 Por fim, ela é “uma união secreta, que tange o laço da fraternidade em torno de homens livres e honrados, laço que é mais forte e alto do que as uniões profissionais, patrióticas, nacionais ou religiosas.”13

A partir destas fontes, pode-se chegar à seguinte definição: A maçonaria é uma entidade fechada (outros preferem o termo secreta, com o que alguns maçons não concordam), que congrega homens de todas as raças e credos religiosos e políticos, que afirmam buscar a verdadeira luz, ou a verdade. Seus membros não precisam ser necessariamente ricos, mas terem o suficiente para o seu sustento e de seus familiares e possam socorrer outros, numa união fraternal, que excede os laços políticos, nacionais e religiosos.

A maçonaria se divide em dois grupos:

(1) os regularesque se destacam pelos seguintes princípios: Não admitem mulheres em suas reuniões; exigem que seus integrantes creiam em um ser superior (a quem chamam de Supremo Arquiteto); não permitem em suas reuniões disputas religiosas confessionais ou discussões sobre política;

(2) os irregulares, divididos entre si, destacam-se por alguns princípios: admitem mulheres e ateus declarados, ou até os que professam certos credos; admitem discussões sobre religião e política; seu livro é um livro com páginas em branco.
Objetivo dos Maçons
Os maçons afirmam: “O verdadeiro objetivo da maçonaria pode resumir-se nestas palavras: desfazer nos homens os preconceitos de casta, as convencionais distinções de cor, origem, opinião e nacionalidades, aniquilar o fanatismo e a superstição, extirpar os ódios de raças e com eles o açoite da guerra; em uma palavra, chegar pelo livre e pacífico progresso a uma fórmula e modelo de terna e universal justiça, segundo a qual todo ser humano possa desenvolver livremente as faculdades de que esteja dotado e possa vir a concorrer cordialmente e com todas as forças para a comum felicidade dos seres humanos, de sorte que a humanidade venha a ser uma só família de irmãos unidos pelo afeto, cultura e trabalho.”14

A maçonaria “trabalha para o melhoramento intelectual, moral e social da humanidade. Daí seu lema: ciência, justiça e trabalho. Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e da prática de virtudes.15

Que querem os maçons?

“Eles querem aperfeiçoar o homem moralmente. Seus princípios básicos são: Liberdade, Tolerância e Fraternidade.”16 O quanto é possível julgar, a maçonaria afirma ter o propósito de lutar pelo aperfeiçoamento ético do homem e da humanidade. Combater o fanatismo e promover a união da humanidade. Que significa isto? Se querem melhorar o indivíduo e a humanidade, porque mulheres e crianças e as classes menos favorecidas são excluídas? Não deveria a educação moral atingir todos e isso desde o berço? Os maçons querem desfazer todos os preconceitos e classes que dividem a humanidade, mas eles próprios iniciam esse trabalho formando preconceitos, criando uma classe distinta e das mais fechadas que existe. Se querem promover uma união e lutar contra o fanatismo, perguntamos: o que é fanatismo? Confessar a verdade religiosa com confissão clara é fanatismo? Voltaremos a estas perguntas mais adiante.

Ritos e Símbolos dos Maçons

A maçonaria não possui uma base espiritual contida em palavras ou formulada em doutrina. Procuram alcançar seus objetivos éticos pelo galgar de graus, por ritos e símbolos que, em sua maioria, foram extraídos do ofício de pedreiro, visto que a maçonaria representa figurativamente a arte de construir.

Uma explicação bem popular diz que “a base espiritual dos maçons não se representa em primeira linha em palavras, mas por símbolos que foram tomados das profissões dos arquitetos, já que eles representam simbolicamente a arte de construir. A simbólica dos maçons consiste em atos simbólicos e rituais.

Aos símbolos pertencem: A Bíblia (que em outros países pode ser substituída pelo livro religioso em vigor, ex.: O Alcorão. Os maçons irregulares não aceitam a Bíblia, mas colocam em seu lugar um livro com todas suas páginas em branco), o esquadro, o compasso, o martelo, a colher de pedreiro, a mesa de trabalho; e os que dirigem o trabalho devem estar aparamentados com luvas brancas e avental.17

Albuquerque diz que “a maçonaria é ciência velada por alegorias e ilustrada por símbolos. Simbolismo é alma e vida da maçonaria; nasceu com ela, ou melhor, é o germe de que brotou a árvore da maçonaria e que ainda a nutre e anima.18Conclui dizendo que “os símbolos maçônicos, derivados dos símbolos primitivos, foram aplicados à arte de construir desde a origem dessa mesma arte.”19

Os graus inicialmente eram três: aprendiz, companheiro e mestre. Algumas lojas permanecem com estes três; outras têm mais, chegando até 33 graus e acima. Por ritos entendem o correto desenvolvimento das ações culturais, que têm como centro o homem ao qual visam aperfeiçoar e enobrecer. Sobre o significado dos símbolos, Rolf Appel, líder da Grande Loja alemã de Hamburgo, Alemanha, escreve: “os símbolos maçons fogem a uma interpretação racional e lógica. Têm muitos sentidos - por isso são inesgotáveis - eternos e inacessíveis à experiência. O trabalho no templo simboliza tanto o trabalho no seu próprio aperfeiçoamento, como o aperfeiçoamento moral do mundo. A pedra simboliza a imperfeição; nela o aprendiz deve labutar para seu aperfeiçoamento.20

Diante desse quadro surgem várias perguntas. É possível haver uma união fraternal que sem dogma e uma base doutrinária possa alcançar a edificação moral? Até hoje esta pergunta parece não ter sido respondida pelos maçons.21Seria o seu segredo a grande força de sua união? E qual seria esse segredo? Como se observa, tanto em seus objetivos como a respeito dos meios para alcançá-los por ritos e símbolos, há grandes incógnitas. Os maçons o explicam, afirmando que as forças destes ritos são inexplicáveis, só podem ser conhecidos pela experiência, ou seja, para conhecer seu significado a pessoa precisa tornar-se maçom.
O Segredo dos Maçons
Por muitos séculos os maçons foram acusados de serem uma organização secreta. A história o confirma.

O manto do silêncio os envolveu por muito tempo e ainda envolve muitas coisas dos maçons. Os maçons contestam essa afirmação, dizendo que não possuem segredos, mas cultivam a virtude do silêncio. Vejamos o que eles afirmam:

“o chamado segredo maçônico é justamente o ponto sobre o que mais se tem especulado e no qual se baseiam os que condenam nossa Ordem Augusta. Não compreendendo a sua verdadeira razão, ou seja, o caráter espiritual, iniciático e construtivo desse segredo, não querem ver no mesmo mais do que um pretexto para fins execráveis ou, pelo menos, tais que não podem ser confessados publicamente por temor da luz do dia.”22

“Cada um que se ocupa com a maçonaria, percebe que há um segredo, que já por séculos une os maçons. Esse segredo está nos rituais que agem sobre eles e desprendem forças na alma de seus participantes para benefícios próprios e dos que os cercam. Estes segredos não podem ser desvendados, mas são vividos e experimentados na alma... Por isso num dos manuais da maçonaria de 1863 consta: A maçonaria não tem segredos, mas é um segredo.”23

“Calar é para os maçons uma virtude, que deve agir para educar. Isto se refere ao ritual, às conversas íntimas de irmãos, à informação sobre irmãos. Ela é antes uma contra-ofensiva à exagerada verbosidade de nosso tempo.24

O segredo dos maçons é a vivência pessoal. Este é um fator indispensável, como relata um mestre maçom:

“Eu sabia como tudo iria acontecer. Mas quando estava no meio de meus irmãos, e meus olhos foram desvendados, fui comovido em meu íntimo. As lágrimas me vieram aos olhos. Isto posso relatar quantas vezes quiserem e não compreenderão o que senti neste momento. Nem mesmo eu o posso exprimir em palavras. São sentimentos que só se pode experimentar e não descrever, como a ordenação de um sacerdote, a confirmação, o casamento, o ser mãe pela primeira vez. Nestes momentos há sentimentos indescritíveis. O segredo da maçonaria é a vivência."25

Respondendo à pergunta se a maçonaria é uma sociedade secreta, um manual seu diz: “Não, pela simples razão de sua existência, pois é amplamente conhecida. As autoridades de vários países lhe concedem personalidade jurídica. Seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enciclopédias, livros de histórias, etc. O único segredo que existe, e não se conhece senão por meio do ingresso na instituição, são os meios para se reconhecer os maçons entre si, em qualquer parte do mundo e o modo de interpretar seus símbolos e os seus ensinamentos neles contidos.”26

Afirma Salomão: “Há tempo de estar calado, e tempo de falar” (Ec 3.7). Tudo tem sua razão e seu motivo. Se é para falar o mal, calar é ouro, se deixo de falar o bem, calar é pecado. “Quem não me confessar diante dos homens,” diz Jesus, “também não o confessarei diante do meu Pai que está nos céus” (Mt 10.32). Assim o calar é uma virtude somente quando usado para evitar o mal.

Há segredos militares que visam o bem da pátria. Mas por que vamos esconder o bem? Se a doutrina dos maçons visa o bem e tem este poder, por que calar? Qual o motivo de calar dos maçons? Eis a incógnita, que permanece não respondida, apesar de toda a apologética maçônica.27 Boaventura Kloppenburg afirma que “a Maçonaria não é apenas uma sociedade discreta, mas secreta, no sentido próprio e usual da palavra.”28
A Maçonaria é Religião?

A maçonaria afirma categoricamente não ser religião, nem substitutivo para a religião. Os maçons não são contra a religião, antes, especialmente os regulares, exigem que seus filiados acreditem em um ser superior. Ouçamos o que afirmam.

Lê-se no primeiro Artigo da Constituição de Anderson: “por seu compromisso, o maçom é obrigado a obedecer à lei moral, e, se devidamente compreende a Arte, jamais será um estúpido ateu nem um libertino irreligioso. Porém, embora nos tempos antigos os maçons fossem obrigados a pertencer à religião dominante em seu país, qualquer que fosse, considera-se hoje muito mais conveniente obrigá-los apenas a professarem aquela religião que todo o homem aceita, deixando cada um livre em suas opiniões individuais, isto é, devem ser homens probos e retos, de honra e honradez, qualquer que seja o credo, a denominação que o designa. Deste modo, a maçonaria é o centro de união e o meio de conciliar a verdadeira fraternidade entre pessoas que teriam permanecido perpetuamente separadas."29

A maçonaria é uma religião? Muitos maçons afirmam que não.

Dizem: A maçonaria não é uma religião, mas uma sociedade que tem por objetivo unir os homens entre si. União recíproca, no sentido mais amplo e elevado do termo. E nesse seu esforço de união dos homens, admite em seu seio as pessoas de todos os credos religiosos, sem nenhuma distinção. Mas há controvérsia. Outros maçons afirmam ser a maçonaria uma instituição religiosa “porque reconhece a existência de um único princípio criador, regulador absoluto, supremo e infinito, ao qual se dá o nome de Grande Arquiteto do Universo, porque é uma entidade espiritualista em contraposição ao predomínio do materialismo. Estes fatores que são essenciais e indispensáveis para a interpretação verdadeiramente religiosa e lógica do Universo, formam a base de sustentação e as grandes diretrizes de toda a ideologia e atividade maçônica.”30 Haack contesta: “Os maçons de nossos dias nada têm a ver com religião. Mas por ter crescido em terra cristã, nota-se em muitas partes contatos no campo da ética.”31 Ou, então: “ela compromete o maçom só com aquela religião com a qual todos os homens concordam e deixa a cargo de cada indivíduo suas convicções especiais.”32

Em contraposição à religião, todo o esforço dos maçons concentra-se na vida nesta terra; não se refere à eternidade: não realizam cultos e sua grande diferença em relação à religião é não possuir uma doutrina salvífica. Assim também o jesuíta Michel Diereck reconheceu que a maçonaria não é religião, mas um estilo de vida e não possui um dogma escrito, mas regras de vida.”33 No ritual fúnebre da maçonaria fica expresso que pelo avental depositado na sepultura, os maçons são “lembrados da pureza e conduta da vida tão essenciais para ser admitido na Loja Celestial lá do alto, onde o Supremo Arquiteto do Universo reina em eterno esplendor.”34

Como se vê, os maçons negam serem religião ou substitutivo para ela. Ao mesmo tempo afirmam serem religiosos e por isso possuem ritos cultuais. Negam que aspiram ser uma religião que una a todos; ao mesmo tempo afirmam combater o fanatismo, tirarem de cada religião as verdades universais e lutarem por uma união. Possuem o seu deus, se bem ser-lhes o mesmo desconhecido. Dão-lhe o nome de Grande Arquiteto do Universo – G.A.D.U.35 Iniciam suas reuniões em nome desse Arquiteto. Cultuam esse deus não por ensinamentos dogmáticos, mas por ritos simbólicos. Têm seus próprios ritos funerais.

Se a religião se ocupa com a relação do homem com Deus, então a maçonaria é religião. Pretendem ser uma religião que toda a pessoa possa aceitar. Portanto uma religião segundo a carne, que não aceita as coisas do Espírito de Deus. São religião tolerante, tão em moda em nosso tempo de ecumenismo, cujo denominador comum é: “União na diversidade e aceitar a verdade de cada um, pela tolerância.” Dentro de seu princípio de tolerância, usam o livro religioso mais em voga na localidade, mas na verdade não aceitam nenhum, pois têm sua própria concepção das coisas.

Bem afirmou um líder maçônico: “Nós só aceitamos “procuradores”, não aceitamos “achados” em nossas fileiras. Quem deseja ser um maçom o percebe primeiramente em seu interior, então confia-se a um amigo.”

Assim consta num antigo documento maçom. Esta frase espelha a verdadeira índole maçônica. Maçons são pessoas que procuram a verdade. São eternos procuradores. Procuram a verdade, a justiça e o aperfeiçoamento. Em tudo isso, seus olhos não estão voltados para a eternidade, nem atentos à voz de sua razão. Realmente é uma religião pobre e vazia. Falam em Deus, mas não o conhecem. Veneram um deus mudo que não lhes fala. Confiam em suas próprias obras, julgando que por elas são aceitos pelo deus desconhecido na eternidade. Como não possuem uma verdade expressa, aceitam de certa forma qualquer religiosidade, desde que concorde com seus princípios. Mas, no confronto com a verdade revelada do verdadeiro Deus, a rejeitam.Chamam o apegar-se à verdade divina, revelada na Escritura, de fanatismo e a combatem, revelando assim a índole da natureza humana que não aceita as coisas do Espírito de Deus (2Co 2.14). Reúnem pessoas que buscam a verdade e a paz, por não a terem encontrado nas religiões existentes.

 Luteranos e a Maçonaria

Diante do que vimos sobre a maçonaria, especialmente as afirmações de que o maçom é um eterno procurador da verdade, que luta pelo aperfeiçoamento moral da pessoa e julga ser capaz disso, queremos mostrar porque um cristão convicto, especialmente o cristão luterano, não se filia à maçonaria, e porque um maçom, ao abraçar a fé cristã, não permanecerá na maçonaria. As razões o poeta sacro expressou assim: “Achei o eterno fundamento, em que minha âncora firmar; é Cristo e seu atroz tormento. Eterno, prévio à terra e mar, nem mesmo irá estremecer, quando o universo perecer.”36

O cristão, especialmente luterano, não é um procurador. Ele conhece o único e verdadeiro Deus, um Deus em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Vejamos alguns detalhes desta convicção:

1. Escritura Sagrada. O cristão, especialmente o luterano, sabe que Deus se revelou à humanidade desde o princípio e por último nos falou por seu Filho Jesus Cristo. Temos sua palavra registrada na Escritura Sagrada, escrita pelos profetas, evangelistas e apóstolos. Eles escreveram inspirados por Deus. Por esta palavra, Deus se revela à humanidade como o único e verdadeiro Deus, em três pessoas. Ao Pai atribuímos a obra da criação e manutenção do universo; ao Filho, Jesus Cristo, a salvação da humanidade; ao Espírito Santo, a obra da santificação. Pela fé na graça de Cristo, temos paz com Deus, força para a vida santificada, orientação e a esperança da ressurreição e da vida eterna (Hb 1.1-2; 2Tm 3.16; Jo 8.31-32, 47; Jr 2.13; 1Co 2.14).

2. Pecado e salvação. Deus criou o universo perfeito. Infelizmente anjos, em sua liberdade, desobedeceram a Deus. Deus os expulsou de sua presença e os condenou ao inferno. Deixou-lhes, no entanto, até o dia do juízo final, certa liberdade de ação. Satanás tentou o primeiro casal, Adão e Eva, que de livre e espontânea vontade, seguiram a tentação, desobedecendo a Deus. Eles foram expulsos do paraíso. Mas em grande amor, Deus providenciou para eles e toda a humanidade maravilhosa salvação por seu unigênito Filho, Jesus Cristo. No tempo determinado Deus enviou seu Filho Jesus Cristo ao mundo. Nasceu da virgem Maria, e como substituto de toda a humanidade cumpriu perfeitamente a lei de Deus. Pagou pelos pecados da humanidade, venceu nossos inimigos: pecado, morte e Satanás. Esta salvação Deus anunciou a Adão e Eva e a proclamou pela boca de Seus profetas. Jesus ordenou que este Evangelho, a boa-nova da salvação pela graça em Cristo, fosse proclamado até o fim dos séculos, para que todo o que nele crê, não pereça mas tenha a vida eterna (Gn 1.31; Jd 6; Gn 3.15, 17-19; Jo 3.16; 2Co 5.18-19; Jo 11.25; 3.36; Ap 14.13; Jó 19.25-27; At 1.11).

3. Nascer de novo. Nicodemos foi homem sábio, honrado, cumpridor de seus deveres familiares, civis e religiosos. Ouviu pregações de Jesus e ficou em dúvida sobre a paz com Deus e a vida eterna. Resolveu falar com Jesus. Jesus, sem demora lhe diz: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus (Jo 3.3). Nicodemos queria saber o que precisava fazer. Jesus lhe diz:Nascer de novo. Ora, nascer, criar vida nova, está fora da força humana. Jesus afirma: quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3.5). Em vista disso confessamos: “Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. Assim também chama, congrega, ilumina e santifica toda a cristandade na terra, e em Jesus Cristo a conserva na verdadeira e única fé” (Catecismo Menor, 3° Artigo do Credo Apostólico).

4. Vida em Cristo e confissão do nome de Deus. O cristão, em especial o luterano, na qualidade de filho de Deus pela fé em Cristo Jesus, reconhece que o único e verdadeiro Deus é o Deus triúno. Ele se revelou à humanidade na Escritura Sagrada e, como se revelou, assim quer ser honrado e adorado. Assim O adoramos e confessamos. Por amor a Deus e às pessoas, confessamos em amor esta verdade revelada, não compactando com afirmações que contradizem a Deus, pois isto seria desonrá-lo. Desvios da verdade bíblica são ciladas de Satanás (Mt 4.10; Jo 17.3; Pv 3.5; Mt 3.17; Mt 28.19; 1Pe 2.9; Mt 10.32; 2Co 6.14-18).).

5. Tolerância. O cristão, especialmente o cristão luterano, se exercita na verdadeira tolerância. Esta consiste em ser fraco com os fracos, para conduzi-los ao caminho da verdade. Tolerância não significa ser indiferente para com a verdade revelada por Deus, dando ao erro posição ao lado da verdade. Tal tolerância falsa Deus condena e castiga (Ap 2.29; Mt 7.15).

Como tratar com maçons

Ao tratarmos com maçons, será prudente evitar discussões estéreis em torno da maçonaria, sua história e seus feitos.37Nosso objetivo será levar a pessoa ao conhecimento da fé cristã. Caso nos defrontemos com maçons que se professam cristãos, quer sejam luteranos ou membros de outras denominações, só podemos concluir duas coisas: provavelmente não conhecem o que é a maçonaria ou em que consiste a verdadeira fé cristã.

Diante disso importa enfocar só um ponto: a bênção de ser um cristão. Discutir maçonaria, por ser organização secreta, não nos leva a um fim proveitoso. Basta conhecer seus traços principais, que abordamos aqui: O maçom é uma pessoa que procura a verdade e procura paz com Deus, mas a quem não conhece; busca a vida eterna através da prática de boas ações, mas sobre a qual não tem nenhuma certeza. Eis o ponto por onde começaremos a confessar as verdades bíblicas.

Como cristãos, conhecemos o único e verdadeiro Deus, a fonte da verdadeira paz, o Deus triúno, que se revelou e revela à humanidade unicamente na Escritura Sagrada. Por isso é preciso pontuar: a justificação do pecador diante de Deus. “Conhece-te a ti mesmo”, afirmam os maçons, como já afirmavam os gregos. Sim, isto é importante. Mas isto é possível somente à luz da Palavra de Deus. Ela mostra que somos pecadores perdidos e condenados, capazes sim, de certa justiça social, mas incapazes de alcançar a perfeição que Deus requer nos seus Mandamentos. Precisamos de um Salvador. A Bíblia nos mostra quem é o nosso único e suficiente Salvador, Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele veio do céu. Tornou-se nosso irmão na carne. E, como nosso substituto, cumpriu perfeitamente a lei. Por sua paixão e morte pagou a culpa da humanidade, por sua ressurreição mostrou que venceu nossos inimigos, a saber, o pecado, morte e Satanás. O Pai aceitou Seu sacrifício em nosso favor. Para que todo o que nele crê, não pereça mas tenha a vida eterna. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).

Se uma pessoa for ensinada assim, mas rejeitar seguidamente estas verdades, não poderá ser aceita como irmão na fé em Cristo, numa congregação cristã. Se for membro de uma congregação luterana e após exposição das verdades cristãs e pacienciosa admoestação não se desligar da maçonaria, não poderá ser considerado irmão na fé e membro da igreja luterana. Deve ser desligado da congregação. Tal desligamento é manifestação de amor, a fim de tentar convencer a pessoa do seu erro para que se arrependa, aceite a Verdade e volte à comunhão com os irmãos e à comunhão com o Deus gracioso.
Conclusão

Como cristãos, especialmente cristãos luteranos, convictos da verdade revelada de Deus, não mantemos comunhão com organizações ou sociedades, quer abertas ou secretas, declaradamente religiosas ou que praticam certa espiritualidade, que não confessam o Deus triúno, como o único e verdadeiro Deus. Não mantemos comunhão com grupos que não ensinam ser Cristo verdadeiro Deus gerado do Pai desde a eternidade, e verdadeiro homem, nascido da virgem Maria, nosso único e suficiente Salvador, ou que ensinam sermos salvos pela graça de Cristo e nossas boas obras (sinergismo). Ter união com tais igrejas e associações é negar a nossa fé.
Parecer aprovado na 60a Convenção Nacional
Foz do Iguaçu, PR
21 a 25 de abril de 2010 
Notas:
1 BENIMELI, J. A. F., CAPRILE, G., ALBERTON, V.Maçonaria e Igreja Católica: Ontem, Hoje e Amanhã. 4 ed. rev. São Paulo: Paulus, 1998. p. 23-45.
2 WICHT, F., SCHNEIDER, R. Weltfreimaurerei. Weltrevolution. Weltrepublik. Munique: J. F. Lehamanns Verlag, 1936. p. 892.
3 ELBERN, J. e EBERTS, G. Kein Aerger mehr mit der Kirche. Augsburg: Weltbild Verlag, 1975. p. 62.
4 Citado por PANDOLF, Hilário. Maçonaria e Católicos.Revista Eclesiástica Brasileira 894 (Dez de 1975). p. 894.
5 HORTAL, Jesus. Maçonaria e Igreja Católica: conciliáveis ou inconciliáveis. In Coleção Estudos da CNBB (66). 4.ed. rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. p. 63.
6 Idem, p.67-69.
7 Evangelische Zentralstelle für Weltanschaungsfragen, p. 22.
8 Kirchenamt der VELKD, p. 41.
9 HORTAL, op. cit., p. 74-77.
10 Por questão de espaço, deixaremos de lado o estudo sobre o desenvolvimento histórico da Maçonaria. Para uma abordagem histórica geral, cf. SCHNOEBELEN, William.Maçonaria do outro lado da Cruz. 2.ed. Lucian Benigno, trad. Curitiba: Luz e Vida, 1997. p. 143-267. Para uma história da maçonaria no Brasil, cf. KLOPPENBURG, Boaventura.Igreja e Maçonaria. 5.ed. Petrópolis: Vozes, 2000. p. 9-50. Também HOCH, Lothar C., ed. Protestantismo, Liberalismo e Maçonaria no Brasil no Século XIX. Estudos Teológicos 27 (1987): 195-279.
11 HAACK, F. W. Freimaurer. München: Claudius Verlag, 1976. p. 5.
12 Ibidem.
13 WICHT, op. cit., p. 53.
14 ALBUQUERQUE, A. T. C. O que é a Maçonaria. Rio de Janeiro: Editora Aurora, 1958. p. 62.
15 QUE É MAÇONARIA? Porto Alegre: Loja Minerva, 1975. p. 4.
16 ELBERN, op. cit., p. 65.
17 QUE É MAÇONARIA?, op. cit., p. 22.
18 ALBUQUERQUE, op. cit., p. 101.
19 Ibidem.
20 ELBERN, EBERTS, op. cit., p. 64.
21 HAACK, op. cit., p. 38.
22 ALBUQUERQUE, op. cit., p. 93.
23 BORCHERS, KLAUS. Mit Bibel, Winkelmas und Zirkel. Düsseldorf: Die Glocke, 1976. p. 22.
24 ELBERS, op. cit., p. 64.
25 HAACK, op. cit., p. 8-9.
26 QUE É A MAÇONARIA, op. cit, p. 12.
27 Para uma ampla análise dos segredos da maçonaria, cf. ANKERBERG, John; WELDON, John. Os ensinos secretos da Maçonaria. São Paulo: Vida Nova, 1995.
28 KLOPPENBURG, op. cit., p. 75. Itálico no original.
29 ALBUQUERQUE, op. cit., p. 13.
30 QUE É A MAÇONARIA, op. cit., p. 8.
31 HACK, op. cit., p. 31.
32 BORCHERS, op. cit., p. 22.
33 Citado por BORCHERS, op. cit., p. 22.
34 Masonic Burial Service, da Grande Loja Maçônica da Louisiana, USA. Disponível em 
http://www.la-mason.com/stb82.htm. (Acessado em 29 de setembro de 2008).
35 Schnoebelen, um ex-maçom, o qualifica como o deus “genérico”. Cf. SCHNOEBELEN, op. cit., p. 41.
36 Hinário Luterano. 14.ed. Porto Alegre: Concórdia, 2003 (Hino 366.1).
37 Uma mostra de como se pode dialogar com um maçom com vistas ao testemunho do amor de Deus em Cristo pode ser encontrada em L. James Rongstad, How to Respond to... the Lodge. St. Louis: Concordia Publishing House, 1995, p. 28-29.

domingo, 8 de julho de 2012

Inversão do Gibelinismo

O Barão Julius Evola

INVERSÃO DO GIBELINISMO - Considerações Finais
(Excertos)
Julius Evola
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(...) Parece que esta maçonaria se organizou de forma positiva no período dos rumores rosa-crucianos e da sucessiva partida dos verdadeiros Rosa-cruzes da Europa. Elias Ashmole, que parece ter desenvolvido um papel fundamental na organização da primeira maçonaria inglesa, viveu entre 1617 e 1692. Apesar disso, segundo a maioria, a maçonaria em sua forma atual de associação semi-secreta militante não remonta além de 1700(4) - em 1717 houve a inauguração da Grande Loja de Londres. Como antecedentes positivos, não apenas imaginados, a maçonaria teve sobretudo as tradições de determinadas corporações medievais, nas quais os elementos principais da arte de construir, de edificar, eram simultaneamente assumidos segundo um significado alegórico e iniciático. Assim, a "construção do Templo" poderia tornar-se sinônimo da própria "Grande Obra"^iniciática, o desbastamento da pedra bruta em pedra quadrada podia aludir ao dever preliminar de formação interna, e assim por diante. Pode-se pensar que até o começo do século XVIII a maçonaria conservou esses caráter iniciático e tradicional, de modo a, aludindo ao desempenho de uma ação interior, ter sido chamada de "operativa"(5). Foi em 1717 que, com a referida inauguração da Grande Loja de Londres e com o aparecimento da assim chamada "maçonaria especulativa" continental, verificou-se o suplantamento e a inversão de polaridades, de que falamos. Como "especulação", de fato valeu aqui a ideologia iluminista, enciclopedista e racionalista, junto com uma correspondente, desviada interpretação dos símbolos, e a atividade da organização concentrou-se decididamente no plano político-social, mesmo utilizando prevalentemente a tática da ação indireta e manobrando com influências e sugestões, cuja origem primeira era difícil determinar.

Pretende-se que essa transformação se tenha verificado somente em algumas lojas e que outras tenham conservado seu caráter iniciático e operativo mesmo depois de 1717. Efetivamente, esse caráter pode ser encontrado nos ambientes maçônicos a que pertenceram um Martinez de Pasqually, um Claude de St. Martin e o próprio Joseph de Maistre. Mas deve-se observar que também esta mesma maçonaria entrou, por outro motivo, numa fase de degenerescência, e nada pôde contra a afirmação da outra pela qual, acabou sendo assimilada. Tampouco houve qualquer ação da maçonaria que teria permanecido iniciática para protestar e desautorizar a outra, para condenar sua atividade político-social e para impedir que, em toda parte, ela tivesse validade própria e oficialmente como maçonaria.

Referindo-se, portanto, à maçonaria "especulativa", nela os vestígios iniciáticos permanecem limitados a uma estrutura ritual que, especialmente na maçonaria do rito escocês, teve caráter inorgânico e sincretístico, devido aos muitos graus além dos três primeiros (os únicos que têm alguma conexão efetiva com as precedentes tradições corporativas), tendo sido recolhidos símbolos das tradições iniciáticas mais variadas, visivelmente para dar a impressão de ter reunido a herança de todas elas. Assim, nesta maçonaria, também encontramos vários elementos da iniciação cavaleiresca, do hermetismo e da Rosa-cruz: nela aparecem "dignidades" como a de "Cavaleiro do Oriente ou da Espada", "Cavaleiro do Sol", "Cavaleiro das duas Águias", "Príncipe Adepto", "Dignitário do Sagrado Império", "Cavaleiro Kadosh (isto é, em hebraico, "Cavaleiro Sagrado"), equivalente a "Cavaleiro Templar", "Príncipe Rosa-cruz". Em geral - e este é o ponto que tem um significado todo especial - há uma ambição, particularmente por parte da maçonaria do rito escocês, de reportar-se justamente à tradição templar. Pretende-se, desta forma, que pelo menos sete de seus graus sejam de origem templária, além do 30º, que tem, explicitamente, a designação de "Cavaleiro Templar num grande número de lojas. Uma das jóias do grau supremo de toda a hierarquia (33º) - uma cruz teutônica - traz a sigla J.B.M., que é explicada, na maioria das vezes, com as iniciais de Jacopus Burgundus Molay, que foi ´último Grande Mestre da Ordem do Templo, e "De Molay" aparece também como uma "palavra de passe" desse gau, quase como se os que são iniciados nele fossem buscar de volta a dignidade e função do chefe da Ordem gibelina destruída. De resto, a maçonaria escocesa pretende ter muito de seus elementos transmitidos por uma organização mais antiga, chamada "Rito de Heredom". Esta expressão é traduzida por vários autores maçônicos por "ritos dos herdeiros", numa clara alusão aos herdeiros dos Templários. A lenda corresponde é que os poucos Templários sobreviventes ter-se-iam retirado para a Escócia, onde se colocaram sob a proteção de Robert Bruce e foram reunidos por este numa organização iniciática preexistente, de origem corporativa, que então assumiu o nome de "Grande Loja Real de Heredom".

É fácil perceber o alcance que essas   referências teriam em relação específica com aquilo que chamamos de "herança do Graal", caso elas tivessem um fundamento real: forneceriam à maçonaria um título de ortodoxia tradicional. Mas, na realidade, as coisas são muito diferentes.

Trata-se aqui de uma usurpação, não de uma continuação; antes com isso constata-se uma inversão da tradição precedente. Isso resulta de maneira característica considerando em seu complexo exatamente o mencionado grau 30º do rito escocês, que em algumas lojas tem como palavra de ordem: "A revanche dos Templários". A "lenda" que se refere a isso retoma o motivo mencionado anteriormente: os Templários que teriam encontrado refúgio em determinadas organizações secretas inglesas, criaram nelas este grau com a intenção de reorganizar Ordem e cumprir assim a sua vingança. Ora, a inversão já explicada do gibelinismo não poderia encontrar uma expressão mais clara do que nesta explicação do ritual: "A vingança dos templários abateu-se sobre Clemente V não no dia em que seus ossos foram atirados ao fogo pelos Calvinistas da Provença, mas sim no dia em que Lutero levantou metade da Europa contra o Papado em nome dos direitos da consciência. E a vingança abateu-se sobre Felipe o Belo, não no dia em que seus restos foram atirados entre os destroços de São Dionísio por uma turba em delírio, e nem mesmo no dia em que o último descendente revestido do poder absoluto saiu do Templo, que se transformara em prisão de Estado, para subir ao patíbulo, mas, sim no dia em que a Constituinte francesa proclamou diante dos tronos os direitos do homem e do cidadão"(6). O fato de o nível do plano do indivíduo - o "homem" e o "cidadão" - acabar descendo até as massas anônimas e dos seus dirigentes mascarados, resulta de uma história relacionada com o ritual de vários graus - no Rito Escocês do Supremo Conselho da Alemanha ela aprecia no 4º grau, chamado do "mestre secreto". Trata-se da história de Hiram, o construtor do Templo de Jerusalém que, diante de rei sacral Salomão demonstra ter sobre as massas um poder tão prodigioso que "o rei, famoso por seu um dos maiores Sábios, descobriu que, além da sua, havia uma força maior, uma força que no futuro descobrirá o próprio vigor, exercerá uma soberania maior do que a sua (de Salomão). Essa força é o povo (das Volk)". E acrescenta-se: "Nos, maçons do rito escocês, vemos em Hiram a personificação da Humanidade". O rito, tornando-os "Mestres secretos" deveria proporcionar aos iniciantes maçons a mesma natureza de Hiram: isto é, deveria troná-los partícipes desse misterioso poder de mover a humanidade como povo, como massa, poder que abalaria o próprio poder do rei sacral simbólico.

Quanto a ao grau especificamente templar (30º), deve-se observar ainda em seu rito de confirmação a associação do elemento iniciático com o elemento subversivo antitradicional, o que dará necessariamente ao primeiro o caráter de uma efetiva contra-iniciação nos casos em que o próprio rito não se reduz a uma cerimônia vazia, mas coloque em movimento forças sutis. No grau em questão, o iniciado que derruba as colunas do Templo e pisoteia a cruz, sendo admitido, depois disso, ao Mistério da escada ascendente e descendente com sete degraus, é aquele que deve jurar vingança e concretizar ritualmente tal juramento golpeando com um punhal a Coroa e a Tiara, isto é, os símbolos do duplo poder tradicional, da autoridade real e da pontifícia, exprimindo com isso nada mais do que o sentido de quanto a maçonaria, como força oculta da subversão  mundial, propiciou ao mundo moderno, partindo da preparação da revolução Francesa e da constituição da democracia americana e passando pelos movimentos de 1848, chegando até à Primeira  Guerra Mundial, à revolução turca, à revolução da Espanha e a outros acontecimentos análogos. Onde, no ciclo do Graal, como vimos, a realização iniciática é concebida de tal maneira que assume o empenho de fazer com que o rei ressurja, no rito agora indicado tem-se exatamente o oposto; há a contrafação de uma iniciação que está ligada com o juramento (às vezes com a fórmula: "Vitória ou morte") de atingir ou desestabilizar toda forma de autoridade superior.

De qualquer maneira, para os nossos objetivos, o lado essencial destas considerações é indicar o ponto em que a "herança do Graal" e de tradições iniciáticas análogas pára e onde, deixando de lado eventuais sobrevivências de nomes e símbolos, não se pode mais constatar nenhuma filiação legítima destas. No caso específico da maçonaria moderna, de um lado o seu confuso sincretismo, o caráter artificial da hierarquia da maioria de seus graus - caráter que aparece claramente mesmo a um profano -, a banalidade das exegeses correntes, moralistas, sociais e racionalistas aplicadas a vários elementos retomados, tendo em si um conteúdo efetivamente esotérico - tudo isso levaria a fazer ver nela um exemplo típico de organização pseudo-iniciática(7). Mas, considerando, por outro lado, a "direção da eficácia" da organização com referência aos elementos observados anteriormente e à sua atividade evolucionária, surge a sensação exata de se estar diante de uma força que, no que diz respeito ao espírito, age contra o espírito: uma força obscura, exatamente da anti-tradição e de contra-iniciação. E então é bem possível que os seus rituais sejam menos inofensivos do que se pode acreditar e que em muitos casos esses ritos, sem que se dêem conta os que deles participam, estabelecem justamente o contato com essa força, impossível de ser assimilada pela consciência comum.

Uma rápida referência. Na lenda do 32º grau do rito escocês ("Sublime Príncipe do real Segredo") muitas vezes é sabido pela organização e pela inspeção de forças (concebidas como reunidas em diferentes "acampamentos"), que, uma vez conquistada "Jerusalém", deverá ser construído ali o "Terceiro Templo"; Templo este que se identifica com o "Sagrado Império", como "Império do mundo". Discutiu-se longamente sobre os assim chamados "Protocolos dos Sábios de Sião", que contêm o mito de um plano detalhado de conspiração contra o mundo tradicional europeu. Falamos em "mito" entendendo com isso deixar em aberto a questão da veracidade ou da falsidade de um documento como este, muitas vezes aproveitado por um vulgar antissemitismo(8). O que permanece claro é que esse documento, como muitos outros semelhantes que aparecem em vários lugares, tem um valor sintomático, tendo em vista que as principais reviravoltas da história contemporânea que se verificaram depois de sua publicação apresentaram uma impressionante concordância com o plano nele descrito. Em geral, escritos do gênero refletem a obscura sensação da existência de uma "inteligência" diretora por trás dos fatos mais característicos da subversão moderna. Portanto, qualquer que seja a finalidade prática de sua divulgação ou, prescindindo do fato de serem inventados ou falsos, de como foram elaborados, esses escritos colheram "algo que está no ar", algo que a história vai aos poucos dando confirmação. Mas exatamente nos Protocolos vemos também o reaparecimento da ideia de um futuro império universal e de organizações que trabalham subterraneamente para o seu advento(9), porém numa contrafação que podemos dizer satânica, porque o que está efetivamente em primeiro plano é a destruição e o desenraizamento de tudo aquilo que é tradição, valores da personalidade e verdadeira espiritualidade. Esse pseudo-Império nada mais é que a suprema concretização da religião do homem mundanizado, que se tornou a extrema razão de si mesmo e que tem Deus como inimigo. Este é o tema com que parece conclui-se o spengleriano "decadência do ocidente" e a idade obscura - kali-yuga - da antiga tradição hindu.
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NOTAS:
4) Cf. A. Pike, Morals and Dogmas of the ancient and accepted Scotch rite, Richmond, 2ª ed., 1927.

5) Deve-se observar que já em seu período operativo e iniciático contata-se, na maçonaria, certa usurpação, quando ela atribui a si própria a "Arte Real". A inicviação ligada às profissões, de fato, é a que corresponde  ao antigo Terceiro Estado (a casta hindu dos vayça), isto é, a camadas hierarquicamente inferiores à casta dos guerreiros, aos quais corresponde legitimamente a "Arte Real". Por outro lado, deve-se observar também que a ação revolucionária da maçonaria especulativa moderna é aquela que corroeu as civilizações do Segundo Estrado e preparou, com as democracias, o advento das civilizações do terceiro Estado. No que diz respeito ao primeiro ponto, mesmo do aspecto mais exterior, é impossível que não fique uma impressão de comicidade ao ver fotografias de reis ingleses que, como dignatários maçons, vestem o avental e outros indumentos característicos das corporações artesãs.

6) Rituale del XXX grado del supremo consiglio del belgio del rito scozzese antico ed accettato, Bruxelas, s.d., pp. 49, 50. Na ação dramática ritual (cf. p. 42) dá-se o aparecimento de Squin de Florian, que iria denunciar os Templários e que como justificativa, afirma o seguinte princípio: "A Igreja está acima da liberdade"; contra isso, o Mestre da loja afirma: "A liberdade está acima da Igreja". Evidentemente, a primiera porposição está correta, se se tratar da pretensa liberdade de um indivíduo qualquer, enquanto a segunda será verdadeira se se tratar de quem tenha a qualificação requerida para colocar-se além das inevitáveis limitações próprias de uma determinada forma histórica de autoridade espiritual.

7) Surpreende encontrar num autor, normalmente tão qualificado no que se refere a estudos tradicionais, como GUÉNON, a afirmação de que, juntamente com a Compagnonnage, a maçonaria seriam quase a única organização atualmente existente no Ocidente que, apesar de sua degeneração, "pode reivindicar uma origem tradicional autêntica e uma transmissão iniciática regular" (Aperçus zur l'initiation, Paris, 1946, pp. 40, 103). O diagnóstico correto da maçonaria como sincretismo pseudo-iniciático criado por forças subterrâneas de contra-iniciação, que pode ser formulada exatamente com base nas teorias de Guénon, acaba sendo por ele explicitamente desmentida (cf. ibid. p. 201). Como isso possa conciliar-se com o caráter de tradicionalidade que Guénon ao mesmo tempo reconhece ao catolicismo, inimigo mortal da maçonaria moderna, é algo que permanece sem explicação. Uma desfiguração deste tipo é perigosa, especialmente oferece armas preciosas para uma interessada polêmica católica. O fato da mistificação e do uso subversivo do Mistério, que se verificou por uma inversão nas correntes já mencionadas e precipuamente na maçonaria em época recente (onde antes não constituíra senão uma anomalia teratológica), serviu para uma extravagante tese do catolicismo militante: aquela segundo a qual toda a tradição iniciática, em todos os tempos, teria tido um caráter tenebroso, diabólico, anticristão e, em suas consequências, subversivo. Isto, naturalmente, é apenas uma brincadeira de mau gosto. Mas uma tese como esta não é, acaso, corroborada por quem, desconsideradamente, atribui um caráter de ortodoxia e de filiação regular iniciática à maçonaria?

Gostaríamos muito que o leitor não supusesse em nós nenhuma animosidade preconcebida com relação à maçonaria. Pessoalmente, tivemos relações amigáveis com altos expoentes desta seita, que se esforçaram por valorizar seus vestígios iniciáticos e tradicionais. Com base nisso, trabalharam também, por exemplo, Ragon, A. Reghini, O. Wirth. Sabemos também de lojas, como a Johannis Loge e outras, que se mantiveram separadas da atividade político-social, apresentando-se essencialmente como centros de estudos. Mas, pelo dever para com a verdade, não saberíamos modificar em nenhum ponto o quadro geral que traçamos da maçonaria moderna do ponto de vista histórico, em consideração à direção predominante, efetiva e comprovada de sua atuação.

8) Nos Protocolos dos sábios de Sião, as fileiras do complô estão supostamente nas mãos do hebraísmo, mas há também uma referência à maçonaria. Um outro ponto que, quanto à maçonaria, deve ser colocado em destaque, é que os elementos por ela tomados de empréstimo de tradições propriamente ocidentais passam quase para o segundo plano frente às hebraicas - a grande maioria das "lendas" como também quase todas as "palavras de passe" têm base hebraica. Este é um outro, ponto suspeito. De fato, mesmo no conjunto do hebraísmo pode-se observar um processo de degradação e de inversão que igualmente despertou forças de contra-iniciação ou de subversão antitradicional. Essas forças provavelmente tiveram na história secreta da maçonaria um papel que não pode ser deixado de lado.

9) De passagem, devemos observar que a obra revolucionária da maçonaria permanece essencialmente limitada à preparação e à consolidação da época do terceiro Estado (que deu lugar ao mundo do capitalismo, da democracia, da civilização e das sociedades burguesas). A última fase da subversão mundial, por corresponder ao advento do Quarto Estado, relaciona-se com outras forças que necessariamente vão além da maçonaria e do próprio judaísmo, mesmo que frequentemente tenham se utilizado das destruições propiciadas por ela e por ele. É significativo que as atuais vanguardas da época do Quarto Estado tenham escolhido o símbolo do pentagrama, a estrela de cinco pontas, como a estrela vermelha dos Sovietes. O antigo símbolo mágico do poder do homem como iniciado dominador sobrenatural - símbolo que viu a consagração da espada do Graal - torna-se, por inversão, símbolo da onipotência e da demonia do homem materializado e coletivizado no reino do Quarto Estado.




EVOLA, Julius. O Mistério do Graal. 1. ed. São Paulo: Pensamento, 1986. Transcrito das páginas 179, 180, 181, 182, 183, 187 e 188.

sábado, 7 de julho de 2012

William Morgan, Mártir da Luta anti-maçônica

William Morgan: Um dos Mártires da luta anti-maçônica.

Tendo rompido com a maçonaria, Morgan resolveu divulgar os segredos da infame Ordem. Foi julgado pela maçonaria, torturado por três dias e finalmente assassinado, em 1826. Seus restos mortais só foram localizados em 1881, sendo solenemente enterrados no Monumento erigido pela parcela esclarecida do Povo estadunidense, em 1882. 


Monumento a William Morgan, erguido em 1882 no Cemitério de Batavia (Estados Unidos).

Inscrição em uma das faces do pedestal.